Capítulo Segundo: Quase que desconhecidos

 

- Não, não. Sei... Não passa pela minha cabeça. Quero escrever o segundo antes que disperse. E você leu? Como assim? Algumas coisas sim, não sei. Gostou?

- Você se inspirou em mim?

- Isso importa?

- Claro! Se tivesse se inspirado em mim teria gostado mais.

- Sério?

- Aham. Gosto de fazer parte desta fantasia.

- É? E como continuo?

- Não sabe?

- Não sei.

- Onde você esta?

- Na sala.

- Onde?

- No sofá. No menor.

- Hum.

- E você? Onde esta?

- Na tua sala. No sofá maior. Tirando as sandálias.

- Não estou te vendo.

- Não sente?

- O que?

- A minha mão no colarinho.

- Não.

- A outra desabotoando a tua calça. Sente.

Riso.

- É o meu texto.

- São as minhas mãos. No teu pau.

- Quê?

- Eu quero que você o esfregue...

- Espera.

- por todo o meu corpo.

- Você esta se confundindo.

- Sentir ele pulsar na mesma batida do meu peito.

- Desculpa, mas pode parar?

- O meu cheiro tomando conta de todo teu apartamento.

- Pára.

- Quero te sugar com todo o meu desejo.

- Pára!

- Por quê?

- Porque eu quero.

- Porque você quer...

Ela ri.

- Seu puto.

- O quê?

-Seeeuuu Puuuto!

- Não percebe que não te dei essa liberdade?

Ela gargalha.

- Escritor de merda.

Ele aperta os punhos de forma agressiva. Contendo-se.

- ESCRITOR DE MERDA.

- Cala boca, sua puta.

Silêncio. Um tempo longo. Respiração.

- TU,TU,TU,TU,TU...

 

 

 




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