Ponto de Mudança

     Versão 1

 

Terceira marcha.

Breque.

Embreagem.

Segunda marcha.

Breque.

 Abaixo o vidro do passageiro.

Abaixo o som. Abaixo a cabeça para olhar.

Ninguém.

Breque. Ponto morto. Freio de mão.

Carro parado. Eu parado. Tempo parado.

Tempo não parado. Eu não parado. Carro não parado.

Subo o vidro do passageiro.

Subo o som. Subo a cabeça para olhar.

Freio de mão.

Embreagem.

Primeira marcha. 

Acelerador.

Embreagem.

Segunda marcha.

 

Versão 2

 

Terceira marcha.

Breque.

Embreagem.

Segunda marcha.

Breque.

 Abaixo o vidro do passageiro.

Abaixo o som. Abaixo a cabeça para olhar.

Alguém.

Breque. Ponto morto. Freio de mão.

Carro parado. Eu parado. Tempo parado.

Tempo não parado. Eu não parado. Carro não parado.

Subo o vidro do passageiro.

Subo o som. Subo a cabeça para olhar.

Freio de mão.

Embreagem.

Primeira marcha. 

Acelerador.

Embreagem.

Segunda marcha.

 

 

Outro dia

No ônibus havia um velho com os cabelos longos completados por uma barba enorme que era tão grande e branca que parecia mudar de cor.

Fiquei pensando que ele poderia ser eu mais velho mas minha barba nunca seria igual e eu nunca teria saco para deixá-la crescer tanto. A minha já esta grande e nos últimos tempos a única coisa que penso em fazer para meu bem é tirá-la.

Desci do ônibus e sabia que teria que subir escadas e pegar a passarela para atravessar a avenida. Já havia tomado algumas doses de algumas bebidas e não achei nada mais justo que afirmar minha masculinidade me colocando no perigo de atravessar no meio do trânsito rápido que já não era rápido e nem denso por se tratar de 2:30 da manhã. Vi um carro ao longe e corri pela avenida. Tropecei em algo que eu não pude ver. Mirei a sarjeta do outro lado e fui até o fim.

Permaneci na calçada satisfeito com meu feito daquela noite quando avistei um careca muito forte ao longe. Bem , ele era muito forte e muito louco e um puta traficante de drogas. Era o que parecia. Resmungava coisas que eu não entendia embaixo de um ponto de ônibus. Havia uma chuva fina que não me preocupava nem um pouco. Na verdade só fui percebê-la quando pensei em escrever esse texto.

Fiquei cagando de medo.  Ele poderia ter um canivete, revólver, metralhadora ou então um mal humor. Percebi que ele havia me percebido. To fudido!  Atravessei a rua. Tinha jurado para mim que se ele viesse na minha direção daria um murro na sua cara, uma bicuda na sua cara e sairia como um herói de filme americano. Mas a cada um metro que eu andava percebia que estava um metro perto dele. Quando faltavam quinze eu não agüentei. Sai em disparada com uma mochila nas costas.  Corria mas não me sentia como um animal que tentava salvar a sua vida. Me sentia como um cara morrendo de vontade de cagar . Com o rabo encolhido e com passos não muito frouxos para não demonstrar a expectativa. Só pensava nisso. Que eu era é muito viado em estar correndo feito um viado. Me passou pela cabeça voltar e atravessar a sua frente em câmera lenta e exclamar de longe: Viado é o caralho! Mas achei melhor na próxima vez.  Ou nunca fazer isso na minha vida.

No final da esquina à esquerda havia uma base móvel da polícia. Me senti mais calmo e seguro. Andei mais 200 metros até a portaria do prédio e encontrei o porteiro, que era um senhor que parecia tranqüilo e que eu nunca havia visto acordado.

Abri a porta e ele abriu os olhos. Eu suava demais. “Aconteceu alguma coisa?”

E eu só pude responder. Viado? Viado é o caralho!

 

 Número 1

 

A vida segue mas sem nada para fazer. Caralho! Segue sentada no meu colo enquanto me faz pensar que tudo deveria não estar certo, tudo deveria estar numa desordem. Não agüento mais ficar sem fazer nada. Sigo sentado. Agora passo a pensar no meu relacionamento e tenho a impressão que é algo que não serve pra nada. Não acho que me faria mal se eu terminasse então não sei por que ficar com ela. Pagar jantar, o passe do ônibus, a viagem do carnaval. Puta que o pariu, se não me importo em estar com ela porque vou estar com ela até o carnaval. Carnaval tem mulher pra caralho. A putaria corre a solta e é isso que eu quero. Um pouco de putaria e chatos nos pentelhos. Quero encher a cara, ficar fudido e caído no meio fio da rua pra depois acordar e contar pros amigos que a vida é isso.   Agora fico sentado esperando o telefone tocar. Fico esperando o telefonema dela só matutando como que vou falar que não to mais afim. Que tô de saco cheio. Que queria escutar algumas merdas piegas  enquanto estávamos bêbados mas ela não falava porra nenhuma.

Agora é só esperar. Pelo menos arrumei alguma merda pra fazer.

Teatro

Todas as terças de outubro 21 horas no Teatro da Vila.

Um homem se coloca em frente a um animal e se vê domesticado.
Ela

 

 

Tinha alguém. Eu estava sendo perseguido.

Puta que Pariu!

Eu me cago de medo dessas coisas. Saio todos os dias de casa pensando. E chegou o dia. É hoje. É hoje que me fodo.

Mirei o espaço entre meus pés e me coloquei a andar rápido. Não via a hora de virar a esquina pra poder sair correndo.

Foi o que eu fiz. Virei a esquina e.

Me apaixonei na fumaça de um charuto.

 

 

Capítulo Segundo: Quase que desconhecidos

 

- Não, não. Sei... Não passa pela minha cabeça. Quero escrever o segundo antes que disperse. E você leu? Como assim? Algumas coisas sim, não sei. Gostou?

- Você se inspirou em mim?

- Isso importa?

- Claro! Se tivesse se inspirado em mim teria gostado mais.

- Sério?

- Aham. Gosto de fazer parte desta fantasia.

- É? E como continuo?

- Não sabe?

- Não sei.

- Onde você esta?

- Na sala.

- Onde?

- No sofá. No menor.

- Hum.

- E você? Onde esta?

- Na tua sala. No sofá maior. Tirando as sandálias.

- Não estou te vendo.

- Não sente?

- O que?

- A minha mão no colarinho.

- Não.

- A outra desabotoando a tua calça. Sente.

Riso.

- É o meu texto.

- São as minhas mãos. No teu pau.

- Quê?

- Eu quero que você o esfregue...

- Espera.

- por todo o meu corpo.

- Você esta se confundindo.

- Sentir ele pulsar na mesma batida do meu peito.

- Desculpa, mas pode parar?

- O meu cheiro tomando conta de todo teu apartamento.

- Pára.

- Quero te sugar com todo o meu desejo.

- Pára!

- Por quê?

- Porque eu quero.

- Porque você quer...

Ela ri.

- Seu puto.

- O quê?

-Seeeuuu Puuuto!

- Não percebe que não te dei essa liberdade?

Ela gargalha.

- Escritor de merda.

Ele aperta os punhos de forma agressiva. Contendo-se.

- ESCRITOR DE MERDA.

- Cala boca, sua puta.

Silêncio. Um tempo longo. Respiração.

- TU,TU,TU,TU,TU...

 

 

 

Já vem de algum tempo essa vontade de escrever coisas em capítulos. E eu juro que não tenho o texto inteiro. Escreverei a partir destas experiências. Ou desta experiência que já venho gozando algum tempo.

 

Capítulo Primeiro: O Encontro

 

Encontram-se na porta do apartamento dele.

- Oi.

- Oi. Entra. Pode deixar suas coisas em cima da mesa.

- Ta.

- Quer alguma coisa?

Ela sorri.

- Vou buscar água. Quer?

Ela balança a cabeça.

Ele volta.

- Então?

Ela sorri.

Ele ri.

Entreolham-se.

- Então?

Ela mantém os olhos fixos.

- Ta.           

O suor escorre.

Ela gargalha.

Ele aperta os punhos de forma agressiva. Contendo-se.

- Você me chamou aqui, querido.

- Foi.

- Então?

Pigarra.

Com os olhos baixos. Mirando os tornozelos dela:

- Eu quero que você peça.

- Pedir?

- É. Peça.

- O quê?

- PEÇA.

Ela diz um não seco.

- Não.

- Não?

Ele gargalha enquanto um mar de saliva escorre de sua boca até os pés dela.

Ela tira as sandálias e caminha na direção dele, aperta o colarinho da camisa com a mão direita enquanto a mão esquerda escorre até os bagos.

- Seu puto.

Ela diz, cuspindo na cara dele.

- Sua puta.

Ambos sorriem.

- Você quer me foder!

- Peça!

- Não!

Ele aperta os braços dela com as mãos  fazendo o corpo dela definhar.

- Peça.

Ela ri com lágrimas nos olhos.

- Me fode.

Dia dos namorados

 

- Você não pode fazer isso comigo.

- Não? E por que não?

- Eu não saberia mais viver.

- Eu já não sei.

- Como assim?

- Assim.

- Simples assim?

- Simples assim.

- Mas...

- Mas...

- Em quem eu vou pensar?

- Em outras pessoas.

Ele tira o celular e disca.

Ela atende.

- Alô.

- Quem vai falar comigo no telefone?

- Alguém. Provavelmente.

- Não você...

- Não eu.

- Quem vai me amar?

- Outras pessoas.

- Mas...

- Mas...

- Mas eu quero você.

- Eu preciso muito desligar o telefone.

- Não desliga. Fala só mais um pouco.

- Pra quê?

- Pra escutar a tua voz.

- Desculpa. Mas tenho que desligar.

- NÃO.

- Tchau.

Ela desliga, vira-se e vai falar com outras pessoas.

Ele continua chorando com o celular na mão.

Entranhas

Enfiou o braço pelo sexo e fuçou as entranhas.

O grito silenciou a própria fala.

Agora, ela, caída, deixava escorrer seu néctar pelos lábios. Espumava dor doida.

E ele, com o braço enfiado, fuçava as entranhas dela procurando desarrumar a maneira organizada de ser.  

.

.

.

Não achou.

Talvez alguém já lhe tivesse roubado o coração.

 

Ele Queria

Ele apagara a luz.

Chuveiro.

Tudo é sombra.

Chão de banheiro.

Estático. Entregue. Molhado.

 

Após desligar o chuveiro ele ficara ali.

Encostado na parede deslizara até o chão.

Colocara a cabeça entre as pernas. As abraçava.

Escondia-se do frio.

Frio que o trazia a vida.

Inerte.

Apertara os olhos como os próprios olhos.

Rira.

 

 

 Ele queria se matar.

 

 

Estréia

AS FERAS

 

"Você sabia que carrega um monstro no seu interior? Nunca te ocorreu desejos cruéis sobre as pessoas? 

Eu vou solta a minha Fera.

Eu vou cuspir na sua cara."  

E é assim.

Era meia noite,

O sol brilhava no horizonte,

Um preto careca com tranças longas e loiras

Sentado num banco de pedra feito de madeira

Lendo um livro sem letras de ponta-cabeça com letras de fogo que dizia:

O mundo é quadrado.

 

Cópia

Em momentos de ausencia de criatividade devemos utilizar a copiatividade, então nada melhor do que uma cópia ora deixar uma momento de reflexão pra todos ai:

 

“Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossa própria loucura, fracasso e vício. Pois eles são os fracassos da humanidade à qual pertencemos e assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento.” -Schopenhauer -

 

É isso aii...deve vez foi o Piscina que escreveu a viadagem!!!

Falowww rapaziada...vão assistir a peça do Luquinha que é muito feeraaa!!!

Estréia

Revisão de Prova

Dia 9 de março no teatro Sérgio Cardoso.




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